Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Página inicial > Acervo Cultural > Manobras de 1958
Início do conteúdo da página

No ano de 1958, os então Alunos da Escola Preparatória de São Paulo deslocaram-se para Campinas, para realizar o 1º exercício no terreno na área da Fazenda Chapadão.
Antecedendo as provas finais, realizaram-se as tão esperadas manobras, chave de ouro do ano letivo de Instrução Militar em 1958.
Constituía-se em incógnita absoluta o que faríamos nos dias destinados à experimentação de guerra que viria. Sabedores, não oficialmente, de novidades que anunciavam modificações radicais em comparação com anos anteriores, os pormenores, propriamente, eram por nós ignorados. Só boatos correntes tinham a pretensão de prever o que fora programado. Isto até as vésperas do dia D, quando nos foi notificado que nos deslocaríamos para um local fora de São Paulo para acampar e proceder aos exercícios.
Uma madrugada nevoenta nos viu tomar lugar na composição que tinha por destino a cidade de Campinas. Esta, as ruas molhadas por chuvas incessantes por quase uma semana, nos viu pisar, hora e meia depois, o início da longa e ascendente Andrade Neves. Já no fim desta, no topo de um monte, ficamos à cavaleiro da região e descortinamos as linhas incompletas, mas majestosas da Escola Preparatória de Campinas, futuro lar de nossos sucessores.
O gigantesco conjunto nos viu avançar, ladeira abaixo, ultrapassando sua entrada e engoliu-nos por seu portão principal, deixando-nos no pátio.
A chuva que nos vira partir da capital apreciava-nos ainda, ameaçando um feliz coroamento de nossos trabalhos. Assim sendo, a primeira alteração foi a de nossa forma de estacionamento: mudamo-nos, por assim dizer, dos arredores para o interior do prédio e, consequentemente, de acampamento para acantonamento.
Só a noite começamos a cumprir a programação que nos fora destinada: totalmente prática, sem repetir a teoria que nos havia sido ministrada durante o ano já próximo do fim. Foi como que uma tomada de conhecimentos adquiridos até então. Na parte da manhã e tarde, exercícios de maneabilidade, que exigem um grande preparo físico, eram executados. À noite, mal terminávamos o jantar, patrulhas se preparavam para vencer uma posição defensiva. O cansaço proveniente do esforço feito durante o dia tornava misteriosas as silhuetas que se mexiam no horizonte. A noite já ia alta quando, de volta, penetrávamos o alojamento, ainda inacabado, que nos dava teto. E os dias seguiram-se, com o desenvolvimento do programa de instrução militar.
No último dia, à guisa de despedida, desfilamos frente ao povo local e autoridades. A esta altura, um sol causticante substituíra a chuva. Liberados logo após, conhecemos nossa hospedeira e retornamos ao edifício da Escola. À noite, voltamos para São Paulo que, sob uma garoa, nos recebeu às últimas horas do dia.


Fonte: Revista Anual do Corpo de Alunos (Ano 1958)




registrado em: ,
Fim do conteúdo da página